PORQUE NÃO EVANGELIZO?


Desde já quero dizer que gosto de evangelizar. A pergunta do título remete a uma interrogação que alguns deveriam fazer a si mesmo. Começo então com duas perguntas:

Todos são evangelistas?
E se eu não evangelizar?

Não responderei diretamente, mas peço que leia todo o texto para entender e ter sua própria resposta.

É muito interessante e até mesmo engraçado quando o pastor convoca a igreja para evangelizar. Os olhares se cruzam, alguns procuram rapidamente a porta da congregação, outros pensam em conseguir algum compromisso para aquele horário e por fim, a grande maioria procura uma desculpa nos mais profundos recantos da mente para escaparem do evangelismo. A verdade é que existem pessoas que viajariam para outro país em missão evangelística, mas não evangelizam em seu bairro. O simples fato de pensar em passar próximo de seus amigos com outros crentes, de bíblia nas mãos e entregando folhetos, já é o suficiente para provocar o mal estar.

É fato que por um longo período da história os cristãos tiveram um padrão de comportamento, e esse padrão imprimiu na sociedade uma ideologia pré-analítica de quem é crente e quem não é. E este julgamento feito de forma equivocada teve como critério norteador questões como linguagem, maneira de se vestir, o hábito constante de sair de porta em porta pregando a palavra de Deus entre outros.
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Mc. 16:15)
Mas seria este ide apenas para os ministros? Não. Todo cristão deve evangelizar. E na verdade não acredito que alguém seria capaz de ser um verdadeiro cristão e não testemunhar do amor de Deus para outro em toda sua vida.

Em algumas igrejas quando alguém se converte logo é dirigido para um grupo de evangelismo. O que eu considero um grave erro. Por que um cristão recém-convertido não tem ainda bases bem fundamentadas para rebater heresias e firmar a verdade bíblica em contraposição com as mentiras e sofismas mundanos. Por outro lado o testemunho de alguém que conhece a Cristo é uma das maiores ferramentas de transmissão do amor de Deus. Portanto, creio ser muito bom o novo convertido falar ,quando lhe for concedida a oportunidade, em qualquer situação do quão maravilhoso foi o seu encontro com Deus. Mas, sobretudo ser sincero da sua incapacidade momentânea de entrar em debates. Neste momento a sinceridade e a simplicidade é uma grande aliada. É neste ponto que surge a pergunta: a evangelização é para todos?
Bem, o Ide do Senhor é incontestável. Para responder as questões acima é preciso primeiro entender o que é de fato um cristão genuíno. Este indivíduo é alguém que se converteu a Cristo e absorveu seus ensinos. Ele tem por objetivo agradar a Deus acima da sua própria vontade. Seu caráter é forjado em Deus e sua personalidade é semelhante a do Senhor. Logo questões como fidelidade, santidade, amor a palavra, obediência, amor ao próximo e comunhão com os santos são característicos dele. Tendo apenas a necessidade de uma constante exortação, para o exercício destes atributos devido a força impositora da carne que milita contra o espírito.

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” Gálatas 5:17

O problema de alguns líderes ao impulsionar a igreja ao evangelismo se dá principalmente na falta de conhecimento da membresia. E nestes poucos anos que tenho de fé já presenciei muita pressão por parte da liderança em enviar crentes às ruas para evangelizar. Esta é uma boa preocupação dos pastores. Mas ela se torna em certos momentos muito equivocada. Por quê? Bem, analise comigo...

1. Será que a pressão é por amor as almas ou desejo de multiplicar a igreja?

2. Será que esta igreja tem condições de receber novos membros?

De inicio talvez você esteja bastante surpreso com estas duas perguntas. Então você pode dizer que eu sequer sei o que estou falando. Peço-lhe que continue lendo e logo entenderá.

A correria por abertura e construção de novos templos é crescente em nosso país. A cada ano surgem diversas novas denominações e rachas entre as mesmas se multiplicam. Qualquer motivo é o suficiente para criar outra igreja. E também temos a triste realidade de igrejas que tem décadas de existência e ainda deixa muito a desejar na instrução de seus membros. A palavra de Deus tem sido esquecida nos púlpitos e em seu lugar têm sido colocadas piadas e história mirabolantes. Será mesmo que devemos entrar nesta onda e navegar no rumo deste mar de confusão? Não!

Sinceramente eu mesmo já participei de uma igreja para a qual eu não tinha coragem de convidar pessoas. E porque eu estava ali? A resposta é amor e esperança. Amor pelos irmãos e esperança de uma mudança.
Então nós temos também este problema na atualidade. Igrejas que não cumprem sequer o seu papel e querem que seus membros evangelizem a todo custo.
A verdade é que poucas igrejas querem de fato “evangelizar”. Muitas querem apenas fazer uma grande propaganda de seus templos e angariar novos dízimos para acariciar o ego do líder, que consequentemente estará se destacando entre os demais pastores por conseguir multiplicar sua igreja em um curto espaço de tempo.
Portanto, é preciso antes de evangelizar o mundo ter plena firmeza que a própria igreja já está cumprindo bem o seu papel internamente para então partir aos confins.

Alguns conselhos práticos:

Para evitar até mesmo certa frustração da liderança é preciso haver uma compreensão do padrão de Cristo para o evangelismo, e uma boa seleção de pessoas para certas funções.

Um dos nossos graves erros é pensar na igreja como um corpo sem forma, sem membros. Nunca esqueçamos que a igreja é um corpo com vários membros e cada um deles tem sua função “específica” no corpo.

Entre os membros temos o evangelista vocacionado e temos o cristão que evangeliza. Nunca se esqueça de que um cristão pode evangelizar poucas pessoas em toda sua vida, mas para Deus é bem mais agradável que ele faça um bom trabalho de evangelismo com poucas pessoas, demonstrando amor, perseverança, compaixão e sinceridade do que convidar toda uma nação para visitar o culto no domingo à noite. Evangelizar não é sair de porta em porta e sim “também sair de porta em porta”!
Há muito que comentar sobre evangelismo e evangelistas, mas não quero me prolongar mais neste momento.
A paz esteja contigo.

Wellington Brito



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